As quase histórias que ficam para a história

Eram três amigos na noite a festejarem o facto de um deles ir ser pai. Depois de uma passagem pelos bares do Bairro Alto, foram todos para uma discoteca. Já alegres, beberam mais uns copos, fizeram figuras a dançar e olhavam para quem os rodeava. Por perto, estavam duas amigas, claramente estrangeiras, e também elas já bem alegres. A certa altura, uma delas foi ter com um dos solteiros e perguntou porquê é que só olhavam e não iam lá meter conversa. Disse ainda que aquela era a última noite delas em Portugal, antes de regressarem ao seu país. Os dois amigos, que estavam livres para amar nem que fosse só por uma noite, ficaram sem jeito por não estarem habituados àquela abordagem franca e descontraída, e não deram grande importância à janela de oportunidade que se estava ali a criar. Meia-hora depois, viram-nas a sair na companhia de dois tipos que lá se encontravam. O que será que aconteceu depois? Pensam eles, quando recordam essa noite em concreto. A vida está cheia de quase histórias que ficam para a história. Não dá para voltar atrás e fazer as coisas de forma diferente. Todos nós, a certa altura, bloqueámos, não demos seguimento, ignorámos ou fizemo-nos de desentendidos nas mais variadas situações e depois, bem, depois, ficamos a pensar no que poderia ter acontecido se tivéssemos feito as coisas de forma diferente. Por norma, as melhores quase histórias envolvem quase sexo, seja para homens ou mulheres. E também são essas que nos ficam atravessadas para sempre e o máximo que podemos fazer é olhar para trás e dizer para um amigo: “Lembras-te daquela vez que estivemos quase a sacar duas estrangeiras na noite?”

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