Mudar

o homem invisivel
Mudou de casa. Para uma mais pequena, mais velha, mais barata. Tudo era diferente. Tudo dava mais trabalho. Tudo lhe dava menos vontade de voltar para ela no final do dia. Basicamente não se sentia em casa. O que até era estranho, porque anos antes já tinha vivido dentro daquelas quatro paredes. Voltar a uma casa por onde se passou é como voltar atrás na vida. É como se o que aconteceu depois de se ter saído de lá, tivesse sido uma perda de tempo. Coisas que não nos levaram a lado nenhum, porque caso contrário não estaríamos agora num local repetido do passado. E isto é injusto para quem o sente e para quem passou pela vida dessa pessoa. 
Quem diz casa, diz relações. Voltar para alguém do passado é o mais fácil, o mais seguro, por vezes. Muitos pensam que não repetirão os mesmos erros, que tudo correrá melhor na segunda tentativa. Por vezes, isso de facto acontece, mas o normal não é isso.
No campo profissional, por norma, costuma ser diferente. Quase sempre, quando se volta a uma empresa pela qual já se passou, é para ocupar um cargo mais importante do que da primeira vez. E isso dá uma sensação de evolução, de reconhecimento. Mudar é bom. Faz-nos crescer, melhorar, aprender. Mudar para realidades já vividas é andar para trás. E só os carros é que têm marcha-atrás. Nós não. Logo, não o deveríamos fazer.

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